A necessidade de acalmar e travar o ritmo alucinante que a nossa vida teima em adquirir, têm-me mantido afastada da escrita.
A vida corre-nos à frente e temos a mania de correr atrás dela sem a vermos passar! E é assim que desperdiçamos grande parte dos momentos especiais que temos diariamente! Com a pressa! Pressa de chegar ao autocarro, ao metro, ao trabalho, à fila do refeitório (hoje estava para esquecer...), de sair do refeitório, chegar a reuniões, a auditorias, a voltar para casa, para jantar, para vestir o pijama, para vestir o pijama da pequena (esta é a parte dramática), para deitar, para dormir depressa para ver se durmo mais um bocadinho!
Basta!
Slow down!
Vamos andar devagar...
... olhar devagar, respirar devagar, viver devagar!
Vamos aprender a fazer isto tudo, porque não basta querer.
Eu vou começar agora!
Hoje foi talvez o dia mais difícil desde que estamos em estado de emergência com isolamentos, quarentenas e afins! A minha menina fazia 8 anos! Já tínhamos reservado um espaço para lhe fazer a festa, com os convites já feitos, lista de amiguinhos, ía ter pinturas faciais, piscina de bolas, fatos para se mascararem, várias atividades, bolo do Snoopy, etc. Quando percebemos o andar das coisas, ainda antes da escola fechar, percebemos que não iria haver festa. O Coronavírus não ía deixar. Cancelamos. Optamos por deixá-la com a minha mãe, porque tanto eu como o pai temos que continuar a trabalhar e não podíamos arriscar a vir para casa contaminados, estar com ela e ela contagiar a avó. No dia 16 de março de manhã, despeço-me dela à porta da minha mãe com o último abraço, um beijinho meio a medo, dado na cabeça e sigo para o trabalho de coração desfeito. Sem saber quando a poderei voltar a abraçar. Choro todo o caminho e sinto que vou para a guerra. Sinto-me impotente perante um inimigo inv...
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