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Adeus avó... Parte II (by Teresa Canhoto Carvalho)

Tens umas netas muito dadas à escrita e a Teresa escreveu um texto tão lindo para te ler na tua despedida na igreja que ñ posso deixar de o publicar aqui, pois enriquece em tudo aquilo que escrevi! Quem te conheceu vai reconhecer cada gesto e palavra que ela aqui descreve. Beijos avó... "Então minina? Tudo fixê?" Era assim que me cumprimentava, sempre que eu chegava à sua casa... e lá estava a avó sentada no sofá, com o cigarrinho na boca, enquanto fazia os seus quilómetros de renda e arraiolos. Ai as saudades que eu tenho.... daquela cozinha enorme, com a mesa no meio... de correr com os meus primos à volta da mesa enquanto a avó fazia bolos; De nos sentarmos dentro da lareira até a cara queimar; Do natal na sua casa, com pinheiros que chegavam até ao tecto... Das noitadas a vê-la fazer alheiras e farinheiras com a minha mãe e a tia; Das noites de Verão na varanda, que enquanto os cigarros não acabassem, a conversa não podia acabar. Também não tinha como ac...

Adeus... Até um dia...

Lembro-me de ti! Lembro do teu cheiro, um misto de tabaco com outra coisa qualquer! Ninguém tinha uma avó fumadora! Eu tinha! Eras tão engraçada, tão gozona, tão divertida! Lembro tão bem das tuas gargalhadas, mais parecia que estavas a ficar sem ar, Lembro de andares pela casa a cantarolar meio a assobiar de um jeito que não consigo imitar, De fumares com um braço apoiado por baixo das mamas e o outro por cima de maneira à mão com o cigarro estar sempre perto da boca, e o cigarro chegava ao fim com um arco de cinza pegada ao filtro bem equilibrado! Não sei como conseguias... Lembro de ficares na conversa até de madrugada, De acordarmos ao meio-dia e fazeres umas batatas meio fritas com ovos, era a melhor coisa do mundo para pequeno almoço, Ninguém tinha avós a acordar ao meio dia! Eu tinha! Lembro-me do cheiro a sabonete Fá na casa de banho dos azulejos verdes! Lembro-me da cozinha enorme an...

Quem sai aos seus...

Descobri que se calhar, só se calhar, sou mais igual à minha avó do que eu pensava!!! Quando era miúda, irritava-me andar com a minha avó porque ela metia conversa com toda a gente! ...toda a gente mesmo! E vinha sempre com as mesmas conversas,  "Ai no meu tempo! No meu tempo não havia destas modernices!" "Criei 5 filhos sozinha, sabe? O meu marido foi prá África, era o meu Tó bebé!" "No meu tempo, governava-me com 2 contos pró mês inteiro!" "Esta malta agora só come "bioburtes", eu comia era uma côdea de pão dura, sabe?" "Fui servir para Lisboa tinha eu 9 anos. Levei muita pancada, sabe?" "Eu não sei ler, sabe? Em vez de ir à escola a minha mãe pôs-me a guardar cabras!" Era na praça ou no autocarro, à espera do médico ou na mercearia! E isso irritava-me! Sabia lá eu! "Ó avó vamos embora." As pessoas queriam lá saber das histórias dela, pensava eu! Mas se calhar queriam. E gostavam! Eu é qu...