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Balanço de 2018... O diagnóstico de Fibromialgia

Chega a esta altura do ano e torna-se quase obrigatório fazer o balanço do ano que passou.
2018 foi um misto de emoções e contradições.
Encerrar de ciclos, levar com notícias do tipo de levar com um camião Tir pela mona abaixo, início de ciclos e por aí fora.

O ano começou com uma tendinite calcificante do grande peitoral com ruptura do tendão do peitoral que já aqui descrevi e que me obrigou a parar por alguns dias.
Na altura percebi que o meu corpo me estava a alertar para alguma coisa, para prestar atenção a mim mesma e prestei, mas não o suficiente para perceber O Porquê!
Passadas as dores da tendinite ficaram as dores nas costas e nas ancas. Dores para esquecer, daquelas que não lembram ao diabo, dores que só suportei sob medicação fortíssima.
Ora faz TAC, ora faz RX, ora faz Ressonância Magnética.
O resultado era idêntico.
"Não tem motivo nenhum para essas dores!!"
"Não anda mais nervosa?"
Até que comecei a duvidar da minha sanidade mental!
Estaria a construir estas dores na minha cabeça? Mas doíam tanto porra!!
E não era há um mês ou dois!! Mas há vários anos!!!
Ora melhorava, ora piorava e tomava uma data de drogas até melhorar novamente, e assim por diante. Ora falava com um médico ora com outro! Consultas de corredor, olhe experimente isto ou aquilo. Ora estava pior e fazia uns dias de voltaren e relmus intra muscular até me doer mais o rabo do que o resto... Blá, blá, blá, Whiskas Saquetas.

Em Julho levei com o camião e com um diagnóstico de fibromialgia.
Foi assim o equivalente a bater com os cornos de frente para uma parede de betão e ficar lá esborrachada (tipo o Coiote do Bip Bip).
Os primeiros dias foram difíceis de engolir.
Demorei um pouco a aceitar.
Afinal havia um motivo para todas as dores, não eram imaginação minha, não estava doida (isto é discutível...), havia um motivo para todo o cansaço, para ter dias que mal conseguia sair da cama, não era preguiça, havia um motivo para me doer até a pele, não era ser "comichosa"!

Apesar do choque inicial, ao fim de alguns dias percebi que só passei a ter um nome para aquilo que já sofria há anos e que finalmente iria tratar em condições!

Passei a fazer medicação, fisioterapia semanal e treino muscular direcionado para as minhas zonas mais fragilizadas.
Comecei a registar o que fazia ao longo do dia, como dormia e o nível de dor diário e a estabelecer padrões. Se dormisse bem tinha menos dores, se tivesse grandes emoções ou stress ou me deitasse tarde, o dia seguinte era muito pior e com dores difíceis de suportar sem sos's.

A minha qualidade de vida não tem comparação.
Passei a ter muito menos "dias não".
Tenho muito mais energia (muito, muito mais, talvez não, mas um bocadinho melhor) para as coisas mais banais do dia a dia.
Durmo muito mais e muito melhor do que antes. Mudei o colchão para um de viscoelástico e durmo muito mais confortável! Deito-me cedinho, até porque não aguento acordada muito tempo depois de tomar a medicação.
Este mês voltei à consulta e tive a confirmação do diagnóstico mas também mais autonomia para gerir a minha medicação e a minha vida.

Já sei com o que que posso contar.
Sei que as alterações de temperatura, por exemplo, são o suficiente para me virar do avesso.
Mas também sei que tenho uma rede de apoio à minha volta que não me deixa ir abaixo.
Tenho o apoio do meu marido que me mima, me apoia e me ajuda imenso para me poupar.
Tenho o apoio da minha mãe que também me mima, me apoia e fica com a piolha quando eu já estou desesperada por uma noite de descanso (quase todas as semanas).
Tenho o meu circulo de influência, as minhas amigas, com quem desabafo e em quem me apoio todos os dias.
Tenho as minhas pessoas, de família de sangue e de coração, que mesmo ausentes ou não presentes, sei que estão lá.

E tenho-me a mim!
Mais recolhida, mais comigo mesma, mais circunspecta, não por egoísmo mas por necessidade.
Não faço tantos telefonemas nem tantas visitas como devia, mas tenho que me resguardar.
Não consigo apagar todos os fogos nem fazer as mil e uma coisas que achava que conseguia, porque o dia tem 24h e 8 delas são para dormir.
Não há super mulheres, mas há que ser uma mulher super e às vezes temos que guardar a capa de super heroína e usá-la para nos aquecer as pernas.







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